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Chainsaw Man

Criador de Chainsaw Man explica suas decisões para o final e revela por que gostava de “perder o controle” da história

Tatsuki Fujimoto voltou a falar sobre Chainsaw Man e explicou como prazos, personagens e sua preferência por histórias imprevisíveis influenciaram a construção do mangá.

Tatsuki Fujimoto e referências ao mangá Chainsaw Man após o encerramento da história

Meses depois do encerramento de Chainsaw Man, Tatsuki Fujimoto voltou a falar sobre a maneira pouco convencional com que conduziu a história de Denji. Em uma conversa com Kōhei Kadowaki, diretor do filme de animação We Are Aliens (Wareware wa Uchuujin), o mangaká explicou que a pressão dos prazos não funcionava apenas como um obstáculo durante a produção. A falta de tempo para planejar cada movimento fazia parte de um processo criativo no qual os personagens podiam tomar rumos menos calculados.

A declaração chama atenção porque Chainsaw Man terminou em março de 2026 cercado por discussões sobre suas escolhas narrativas. Parte dos leitores associou o ritmo e algumas decisões da segunda metade da obra ao desgaste provocado pela serialização. Fujimoto apresentou uma perspectiva diferente. Segundo o autor, trabalhar sem tempo suficiente para elaborar cuidadosamente todo o enredo o levava rapidamente aos storyboards e permitia que os personagens se desenvolvessem de maneira mais espontânea. Ele descreveu essa experiência como algo que apreciava: perder parte do controle sobre aquilo que estava criando.

A conversa surgiu depois de Kadowaki abordar o desenvolvimento dos personagens. O diretor passou mais de três anos trabalhando em We Are Aliens e perguntou como Fujimoto conseguia escrever figuras tão diferentes entre si e também distantes de sua própria personalidade. Chainsaw Man construiu boa parte de sua identidade justamente em personagens como Denji, Asa Mitaka, Yoru, Fami e Yoshida, cujas decisões frequentemente empurram a trama para lugares difíceis de antecipar , a resposta ajuda a esclarecer uma característica que acompanha o mangá desde seus primeiros arcos: Fujimoto não parece interessado em controlar todos os elementos da história até que eles conduzam a uma resolução convencional. O caos que muitos leitores enxergaram principalmente na Parte 2 também aparece na maneira como o autor descreve seu método de trabalho.

Fujimoto via os prazos como parte do processo criativo

A rotina de publicação de mangás costuma ser associada a jornadas desgastantes, sobretudo quando envolve períodos de produção semanal. No caso de Fujimoto, a pressão provocada pelos prazos também tinha uma função criativa , durante a conversa, ele explicou que não dispunha de tempo para construir com calma cada detalhe do roteiro antes de começar a trabalhar nos storyboards. Essa limitação o obrigava a avançar sem estabelecer previamente todos os caminhos que seus personagens percorreriam.

Em vez de enxergar exclusivamente um defeito nessa dinâmica, Fujimoto encontrou nela uma forma de permitir que a história se desenvolvesse com certa imprevisibilidade. Segundo o mangaká, quando não existe tempo suficiente para controlar completamente o roteiro, os personagens começam a evoluir de maneira mais natural. Ele afirmou gostar dessa perda de controle e indicou que seria difícil sustentar seu método de criação caso não encontrasse prazer nessa experiência, essa explicação não equivale a dizer que Chainsaw Man tenha sido escrito sem planejamento. O próprio Fujimoto já falou anteriormente sobre temas e ideias que desejava transmitir. A diferença está na maneira como esses elementos chegam ao leitor. Seu método deixa espaço para acontecimentos aparentemente desconectados, humor inesperado, mudanças bruscas de direção e personagens que nem sempre se comportam como peças destinadas a conduzir a narrativa até uma resposta específica.

Denji talvez seja o exemplo mais conhecido. Desde o começo da série, suas motivações alternam entre necessidades básicas, desejos sexuais, busca por afeto, reconhecimento e uma tentativa frequentemente confusa de construir uma vida que considere normal. Mesmo depois de adquirir poderes extraordinários, suas preocupações continuam muito diferentes da trajetória heroica tradicional encontrada em diversos mangás de ação, na Parte 2, publicada a partir de 2022, Fujimoto ampliou esse tipo de construção ao dividir grande parte da atenção com Asa Mitaka. A personagem introduziu outro conjunto de inseguranças, conflitos e decisões que nem sempre avançavam diretamente o grande conflito da série. O resultado foi uma segunda fase com estrutura diferente daquela apresentada nos primeiros anos do mangá.

Uma antiga referência a O Grande Lebowski ganhou novo significado

As declarações recentes também recuperaram uma entrevista anterior de Fujimoto que voltou a circular entre leitores depois do encerramento da obra. Ao falar sobre o tipo de sensação que pretendia provocar com Chainsaw Man, o autor utilizou como referência O Grande Lebowski, filme dos irmãos Joel e Ethan Coen lançado em 1998, Fujimoto explicou naquela ocasião que apreciava a sensação provocada pelo filme: vários acontecimentos pareciam não produzir uma resolução convencional, mas o protagonista ainda passava por uma trajetória própria e a história continuava avançando. O autor demonstrou interesse pelo caráter absurdo dessa construção e indicou que gostaria de provocar algo semelhante em Chainsaw Man ,a comparação passou a receber muito mais atenção depois do capítulo final ,durante boa parte da publicação da Parte 2, a referência poderia ser lida simplesmente como uma indicação da preferência artística do mangaká. Depois do capítulo 232, leitores recuperaram a entrevista para discutir se aquela ideia já antecipava a forma como Fujimoto pretendia encerrar a obra.

As declarações mais recentes reforçam a existência de uma coerência entre seu método de criação e aquela referência cinematográfica, mas não permitem afirmar que cada elemento controverso do capítulo final tenha sido planejado desde o início. A interpretação de que o encerramento ocorreu “exatamente como planejado” aparece em parte da cobertura e entre leitores; Fujimoto descreveu suas preferências criativas e sua relação com a perda de controle, algo diferente de apresentar um roteiro detalhado concebido anos antes.

Chainsaw Man terminou no capítulo 232

O encerramento oficial ocorreu em 24 de março de 2026, com a publicação do capítulo 232 na plataforma Shonen Jump+ e no aplicativo em inglês da Shonen Jump. A conclusão encerrou a segunda parte e, segundo a cobertura oficial da Crunchyroll, colocou fim ao mangá. A mensagem publicada ao término do capítulo agradeceu aos leitores e pediu que aguardassem o próximo trabalho de Fujimoto, a trajetória havia começado mais de sete anos antes. Chainsaw Man estreou em dezembro de 2018 e teve sua primeira parte publicada na Weekly Shonen Jump. Essa fase terminou em dezembro de 2020.

Depois de um intervalo, Fujimoto retomou a série em 13 de julho de 2022, agora na plataforma digital Shonen Jump+, iniciando a Parte 2. A mudança também coincidiu com uma transformação perceptível na narrativa, que passou a dedicar grande espaço a Asa Mitaka e aos acontecimentos relacionados ao Demônio da Guerra, quando o capítulo 232 chegou ao público, em março deste ano, nenhuma Parte 3 foi anunciada. A comunicação oficial direcionou a atenção para o próximo trabalho de Fujimoto, sem indicar que uma nova fase de Chainsaw Man estivesse sendo preparada, essa distinção é relevante porque o universo da franquia continua ativo em outras mídias. O fim do mangá não encerrou a adaptação em anime, que ainda possui bastante material da obra original pela frente.

Reação dos leitores ao encerramento foi dividida

A publicação do último capítulo provocou discussões intensas entre os fãs, especialmente pela quantidade de elementos que permaneceram abertos e pelo formato escolhido para concluir a trajetória de Denji, parte das críticas se concentrou justamente na ausência de respostas convencionais para algumas linhas narrativas desenvolvidas durante a Parte 2. Outros leitores passaram a relacionar essa escolha à antiga declaração sobre O Grande Lebowski, argumentando que a sensação de incompletude poderia ter sido deliberada. Discussões publicadas pela comunidade de Chainsaw Man após o encerramento mostram as duas leituras: há fãs que consideram a abordagem coerente com as declarações antigas de Fujimoto e outros que entendem que o conceito não funcionou da mesma maneira dentro da estrutura do mangá.

A nova entrevista não transforma essa discussão em uma resposta objetiva sobre a qualidade do final. Ela fornece informações adicionais sobre como o autor trabalha,Fujimoto também comentou sua relação com a reação externa às obras que produz. Durante a conversa com Kadowaki, disse preocupar-se menos com a opinião dos outros do que o diretor e indicou que seu interesse está principalmente em criar aquilo que deseja, mesmo quando o resultado não corresponde ao que outras pessoas esperavam, essa postura já podia ser percebida em trabalhos anteriores. Fire Punch, serializado antes de Chainsaw Man, ficou conhecido por mudanças bruscas de tom e caminhos narrativos difíceis de antecipar. Obras curtas como Look Back e Goodbye, Eri adotaram estruturas diferentes entre si, mas também carregam o interesse de Fujimoto por cinema, metalinguagem e personagens cuja trajetória não depende necessariamente de respostas fechadas.

O fim do mangá não representa o fim do anime

Enquanto Fujimoto fala sobre as decisões que levaram ao encerramento do mangá, a adaptação animada ainda está consideravelmente atrás da história original, a primeira temporada do anime, produzida pelo estúdio MAPPA, foi exibida em 2022. Posteriormente, a franquia avançou com Chainsaw Man – The Movie: Reze Arc, responsável por adaptar o arco seguinte aos acontecimentos vistos na televisão, e há ainda uma continuação centrada no Arco dos Assassinos, anunciada em dezembro de 2025. Portanto, mesmo com o capítulo 232 encerrando a publicação do mangá, vários dos principais acontecimentos da história de Denji ainda não receberam adaptação animada.

Isso cria uma situação pouco comum para parte do público que conheceu a franquia exclusivamente pelo anime. Enquanto leitores já discutem o significado do encerramento e as escolhas tomadas na Parte 2, a adaptação ainda terá de percorrer uma parcela considerável da Parte 1 antes de chegar aos acontecimentos que provocaram as discussões recentes , a distância também oferece uma nova leitura para a trajetória de Denji. Declarações feitas por Fujimoto depois da conclusão podem acompanhar futuras adaptações e influenciar a maneira como o público interpreta determinadas decisões dos personagens, embora o anime tenha sua própria direção e ritmo.

Fujimoto segue envolvido em novos projetos

A entrevista que trouxe novamente Chainsaw Man para o centro das discussões surgiu em um momento no qual Fujimoto está ligado a outros trabalhos no cinema e na animação,a conversa foi realizada com Kōhei Kadowaki por causa de We Are Aliens, primeiro longa-metragem de animação dirigido por Kadowaki. O filme tem lançamento japonês marcado para 25 de setembro de 2026, poucos dias depois da repercussão da entrevista. Fujimoto elogiou publicamente a produção e chegou a afirmar que não esperava encontrar, nos próximos três anos, algo que considerasse mais interessante.

Outro projeto associado ao mangaká é Tatsuki Fujimoto 17-26, adaptação em anime de oito histórias curtas escritas por ele entre os 17 e os 26 anos. As obras ajudam a mostrar elementos de sua escrita anteriores à explosão mundial de Chainsaw Man, incluindo seu interesse por situações absurdas, relações incomuns e mudanças repentinas de gênero narrativo, para Chainsaw Man, a situação permanece mais definida do que as especulações surgidas após o capítulo final podem sugerir. O mangá terminou oficialmente no capítulo 232, a Parte 3 não foi anunciada e a mensagem publicada no encerramento apontou para um futuro trabalho de Fujimoto. A adaptação animada, porém, continua avançando sobre o material já publicado.

As declarações de setembro acrescentam uma peça relevante à leitura do encerramento. Fujimoto não descreve os prazos simplesmente como uma pressão que precisava suportar. Ele fala de um processo no qual abrir mão de parte do controle permitia que personagens encontrassem caminhos menos previsíveis. A comparação anterior com O Grande Lebowski, a estrutura da Parte 2 e sua preferência declarada por criar segundo os próprios interesses ajudam a explicar por que Chainsaw Man chegou ao capítulo 232 sem buscar o tipo de fechamento esperado por uma parcela de seus leitores.