Quando se fala nas técnicas de Goku, três nomes normalmente dominam qualquer conversa: Kamehameha, Teletransporte e Genki-Dama. É natural. São golpes associados diretamente ao personagem e aparecem em alguns dos confrontos mais importantes de Dragon Ball. Só que o repertório de Goku é muito maior do que parece.
Ao longo de décadas de história, ele aprendeu técnicas de outros lutadores, improvisou variações do Kamehameha, copiou habilidades depois de observá-las e chegou a utilizar poderes que normalmente associamos a personagens completamente diferentes. Algumas dessas habilidades seriam extremamente úteis em situações específicas, mas aparecem uma ou duas vezes e depois praticamente desaparecem.
Há casos explicáveis. Certas técnicas exigem preparação, outras dependem de circunstâncias muito particulares e algumas simplesmente não combinam com a maneira como Goku prefere lutar. Mesmo assim, é curioso perceber que um personagem com tantas batalhas importantes possui recursos absurdos que quase nunca tira do arsenal.
8. Kamehameha com os pés

Parece uma invenção de videogame, mas aconteceu no mangá original.
Durante a final do 23º Torneio de Artes Marciais contra Piccolo, Goku dispara um Kamehameha utilizando os próprios pés. A ideia não era simplesmente atacar Piccolo com uma posição diferente: Goku utilizou a força do disparo como propulsão enquanto mantinha as duas mãos livres para continuar lutando.
O próprio site oficial de Dragon Ball destaca a técnica como uma demonstração da capacidade de improvisação de Goku. Ela aparece no capítulo 188 do mangá original e permite que ele converta o Kamehameha em um sistema de movimentação em pleno combate.
É uma das melhores demonstrações de que o Kamehameha nunca precisou servir apenas como um enorme raio lançado na direção do inimigo.
E Goku praticamente nunca mais faz isso.
A técnica seria muito menos impressionante diante das escalas atuais de poder, mas o conceito permanece excelente. Em uma luta na qual seus braços fossem imobilizados ou na qual precisasse alterar rapidamente sua trajetória, Goku já demonstrou que consegue liberar energia dessa forma.
O estranho não é ele ter inventado a técnica.
É ter inventado e praticamente esquecido dela.
7. God Bind — Goku consegue literalmente prender o adversário com seu ki

Em Dragon Ball Super: Broly, Goku demonstra uma habilidade completamente diferente da pancadaria tradicional.
Enquanto luta na forma Super Saiyajin Deus, ele envolve Broly com sua energia e consegue paralisar temporariamente seus movimentos. A técnica ficou conhecida como God Bind.
Em vez de provocar uma explosão, Goku usa seu ki como uma espécie de contenção. Broly fica preso dentro daquela energia enquanto Goku tenta conversar com ele e explicar que não deseja continuar a batalha daquela maneira.
O problema é que estamos falando de Broly.
A força crescente do Saiyajin eventualmente supera a contenção, e ele consegue reverter a situação. Isso não transforma o God Bind em uma técnica inútil; apenas mostra que a diferença de poder entre usuário e alvo interfere diretamente em sua eficácia.
É justamente por isso que ela seria tão interessante contra adversários mais próximos do nível de Goku.
Ele poderia interromper movimentos, criar uma abertura para outro golpe, impedir uma fuga ou ganhar alguns segundos sem precisar destruir tudo ao redor.
Ainda assim, raramente vemos Goku recorrer a esse tipo de controle de energia.
6. Dança da Fusão — provavelmente o maior aumento de poder que Goku consegue obter sem ajuda divina

A Dança da Fusão não foi criada por Goku. Ele aprendeu a técnica com os Metamoru durante o período em que estava morto e posteriormente ensinou os movimentos a Goten e Trunks.
Durante muito tempo, porém, havia uma situação curiosa: Goku conhecia perfeitamente a técnica, mas quem realmente a utilizava eram outros personagens.
Isso mudou em Dragon Ball Super: Broly.
Sem conseguir derrotar Broly individualmente, Goku convence Vegeta a realizar a dança. Depois de algumas tentativas desastrosas, os movimentos finalmente são sincronizados corretamente e nasce Gogeta.
O resultado dispensa muita explicação.
Goku Blue não conseguia resolver o problema.
Vegeta Blue também não.
Gogeta transforma completamente a luta.
Materiais oficiais continuam apresentando Gogeta de Dragon Ball Super: Broly como resultado da fusão dos dois Saiyajins.
É difícil pensar em outra técnica à disposição de Goku capaz de produzir imediatamente um salto semelhante de poder. Mesmo assim, ele dificilmente considera a fusão como primeira opção.
Isso combina bastante com sua personalidade. Goku quer testar o próprio limite antes de recorrer a uma solução que transforme dois guerreiros em um.
Do ponto de vista puramente estratégico, entretanto, a Dança da Fusão é uma das cartas mais absurdas que ele possui.
5. Kamehameha com Teletransporte — contra Cell, quase funcionou perfeitamente

Uma das melhores combinações já criadas por Goku surgiu durante os Jogos de Cell.
Goku começa a preparar um Kamehameha aparentemente em uma posição péssima. Cell acredita que ele não dispararia toda aquela energia porque poderia colocar a Terra em risco.
E realmente não dispara dali.
No último instante, Goku utiliza o Teletransporte, aparece praticamente em cima de Cell e libera o Kamehameha à queima-roupa.
O ataque destrói completamente a parte superior do corpo do adversário.
Cell só sobrevive porque sua capacidade de regeneração entra em ação.
O golpe ficou conhecido como Instant Transmission Kamehameha, ou Kamehameha com Teletransporte, e materiais oficiais de jogos da franquia ainda tratam a combinação como uma técnica própria de Goku.
O conceito continua assustador mesmo décadas depois.
Um Kamehameha normalmente oferece ao adversário algum tempo para perceber a concentração de energia, reagir, desviar ou preparar um contra-ataque. Misturar isso ao Teletransporte praticamente elimina a distância.
Goku pode preparar o ataque longe do inimigo e aparecer no ponto exato em que deseja dispará-lo.
Contra alguém sem regeneração, o resultado que vimos com Cell poderia ter encerrado a batalha imediatamente.
Mesmo possuindo uma combinação tão eficiente, Goku quase nunca transforma essa estratégia em seu método padrão de finalização.
4. Mafuba — Goku possui uma técnica capaz de vencer sem precisar matar

O Mafuba é uma das técnicas mais antigas de Dragon Ball e talvez uma das mais estranhas quando comparada às batalhas modernas da franquia.
Ela não depende simplesmente de superar o adversário em força.
O objetivo é selá-lo dentro de um recipiente.
Durante o arco de Goku Black, a imortalidade de Zamasu cria exatamente o tipo de problema para o qual o Mafuba foi desenvolvido: como derrotar alguém que simplesmente não pode ser morto?
Goku aprende a técnica e tenta utilizá-la contra Zamasu. No mangá, o próprio site oficial de Dragon Ball registra a tentativa no capítulo 22. O selamento chega a funcionar inicialmente, mas o procedimento falha porque o selo correto não estava disponível.
Pense no que isso representa.
Goku vive em um universo no qual aparecem inimigos com regeneração, imortalidade, absorção de energia e outras formas de sobreviver a ataques convencionais. O Mafuba oferece uma solução completamente diferente: não é necessário destruir o adversário se for possível removê-lo do combate.
A técnica possui limitações importantes e precisa de preparação, recipiente e execução correta. Mesmo assim, Goku literalmente aprendeu uma habilidade para selar inimigos e depois quase não voltou a utilizá-la.
3. Genki-Dama — o golpe mais famoso desta lista também é muito mais raro do que parece

A presença da Genki-Dama pode parecer estranha porque praticamente todo fã conhece a técnica.
Mas conhecer não significa vê-la frequentemente.
Considerando a quantidade gigantesca de batalhas protagonizadas por Goku, são poucas as ocasiões em que ele realmente consegue utilizar uma Genki-Dama como sua grande arma.
Ela aparece contra Vegeta, depois contra Freeza e ganha seu momento mais famoso na batalha contra Majin Buu, quando a energia reunida dos habitantes da Terra ajuda Goku a eliminar o vilão. O site oficial também relembra justamente a Genki-Dama como o ataque decisivo contra Kid Buu.
No anime de Dragon Ball Super, Goku ainda recorre à técnica contra Jiren durante o Torneio do Poder.
Mesmo assim, ela permanece reservada para circunstâncias extremas.
E existe uma razão clara.
A Genki-Dama precisa de energia externa e normalmente exige tempo para ser preparada. Em uma batalha individual rápida, ficar parado reunindo energia enquanto o adversário tenta acertá-lo não é exatamente uma estratégia segura.
Quando Goku possui aliados capazes de protegê-lo e uma enorme quantidade de energia disponível, porém, poucas técnicas de seu repertório possuem potencial semelhante.
Não é um golpe comum.
É praticamente uma arma de emergência.
2. O gigantesco avatar de energia do Instinto Superior

Uma das habilidades mais estranhas que Goku demonstrou aparece muito tarde no mangá de Dragon Ball Super.
Na batalha final contra Moro, Goku recebe energia suficiente para recuperar o Instinto Superior e manifesta uma enorme projeção de energia ao redor do próprio corpo.
Não estamos falando de simplesmente aumentar sua aura.
A energia assume uma forma gigantesca semelhante ao próprio Goku e permite que ele enfrente Moro depois que o vilão se funde ao planeta.
O confronto contra Moro é tratado oficialmente como um dos grandes combates do personagem, e o desfecho ocorre no capítulo 66, depois que Goku recebe energia dos aliados e de Uub para recuperar o poder necessário para finalizar o inimigo.
A habilidade ainda voltaria de maneira pontual durante acontecimentos posteriores do mangá, mas está muito longe de se transformar em algo que Goku utiliza normalmente.
Isso torna sua existência ainda mais curiosa.
Goku já demonstrou que consegue transformar seu ki em uma manifestação gigantesca capaz de interagir fisicamente com inimigos colossais.
Num universo em que tamanho às vezes se transforma em vantagem — vide Oozaru, Cell Max e outras criaturas enormes — essa habilidade resolve um problema muito específico sem exigir que Goku transforme fisicamente o próprio corpo.
1. Hakai — Goku chegou a tentar usar o poder dos Deuses da Destruição

Essa talvez seja a técnica mais surpreendente de toda a lista.
No mangá de Dragon Ball Super, durante a batalha contra Zamasu fundido, Goku tenta utilizar o Hakai.
Sim, o mesmo princípio de destruição associado a Beerus e aos Deuses da Destruição.
A cena ocorre no capítulo 25 do mangá, dentro da versão de Toyotarou para o arco de Trunks do Futuro. O capítulo integra oficialmente a publicação de Dragon Ball Super.
Goku concentra seu poder e começa a apagar parte do corpo de Zamasu.
O detalhe importante é que Goku não domina o Hakai como Beerus. Sua execução é mais lenta e menos refinada, e a situação acaba sendo interrompida. Portanto, seria errado dizer que Goku simplesmente possui exatamente o mesmo nível de destruição de um Deus da Destruição.
Mas o fato de conseguir reproduzir o princípio da técnica já é impressionante.
O Hakai não é um Kamehameha maior.
Sua proposta é apagar o alvo.
E Goku conseguiu chegar perto de utilizar esse tipo de poder depois de observar as técnicas dos deuses.
Curiosamente, ele praticamente abandona a ideia depois disso. No anime, essa tentativa de Goku contra Zamasu não acontece da mesma maneira, tornando o Hakai um daqueles casos importantes em que as versões do anime e do mangá de Dragon Ball Super seguem caminhos diferentes.
Se existe uma técnica que justificaria perfeitamente o título de “poder absurdo que Goku possui e quase nunca usa”, é essa.
Então por que Goku esquece tantas técnicas?
Na maioria das vezes, Goku não esqueceu literalmente como utilizar essas habilidades.
A explicação está no contexto.
A Genki-Dama demora para ser preparada. O Mafuba exige condições especiais para completar o selamento. A fusão depende de Vegeta cooperar e executar os movimentos corretamente. O God Bind pode ser rompido por alguém poderoso demais. O Kamehameha com Teletransporte depende de encontrar uma abertura adequada. Já técnicas como Hakai e o avatar de energia estão ligadas a níveis de poder que Goku ainda está aprendendo a dominar.
Existe também um elemento próprio do personagem.
Goku tende a resolver suas lutas como artista marcial. Ele gosta de entender o adversário, testar seus próprios limites e superar o inimigo diretamente. Isso ajuda a explicar por que soluções extremamente eficientes nem sempre viram atalhos permanentes.
O resultado é um arsenal muito maior do que normalmente lembramos.
Goku pode atacar de posições absurdas, teleportar um Kamehameha praticamente para dentro da guarda do inimigo, imobilizar alguém com energia, selar adversários, fundir-se com Vegeta, reunir energia de outros seres, manifestar uma gigantesca projeção de ki e, pelo menos no mangá, até tentar utilizar o poder de destruição associado aos deuses.
Talvez o mais curioso seja justamente perceber que o Kamehameha tradicional nem de longe é tudo o que Goku sabe fazer.


