No começo de Solo Leveling, quase tudo parece girar em torno de uma pergunta simples: até onde Sung Jinwoo consegue ficar mais forte? Ele começa como o caçador mais fraco entre os rank E, sobrevive ao Templo de Cartenon, recebe acesso ao misterioso Sistema e passa a crescer em um ritmo que nenhum outro caçador consegue acompanhar.
Durante boa parte da história, os Portais, as Masmorras e os monstros parecem fazer parte das regras daquele mundo. Eles existem, os humanos aprenderam a enfrentá-los e a sociedade inteira se reorganizou em torno dos Caçadores. Só bem mais tarde descobrimos que a humanidade entrou no meio de uma guerra que já existia havia eras — e que até o Sistema responsável pela evolução de Jinwoo tinha um propósito completamente diferente daquele que imaginávamos.
No centro desse conflito estão os Monarcas, entidades criadas para destruir, cada uma comandando seu próprio exército e carregando uma parcela absurda de poder. Antares, Sillad, Rakan, Querehsha e os outros não apareceram porque a Terra começou a produzir monstros. Eles já existiam muito antes da humanidade e pertenciam a uma guerra que atravessou mundos inteiros.
E existe uma ironia enorme nisso tudo: Jinwoo começa a história entrando em masmorras para pagar as contas da família e termina envolvido diretamente em um conflito iniciado por uma entidade praticamente divina antes mesmo de a humanidade conhecer a mana.
A guerra entre Monarcas e Governantes começou com o Ser Absoluto

Muito antes dos Portais aparecerem na Terra, existia o Ser Absoluto, uma entidade responsável pela criação dos dois lados que acabariam travando a guerra central de Solo Leveling.
A partir da luz, ele criou os Governantes, também conhecidos como Fragmentos da Luz Brilhante. Da escuridão nasceram os Monarcas, seres destinados à destruição. Enquanto os Governantes lutavam para preservar os mundos, os Monarcas avançavam na direção oposta, e o choque entre essas duas forças se transformou em uma guerra aparentemente interminável.
Durante eras, os Governantes acreditaram que aquela batalha tinha algum objetivo maior. Eles lutavam, perdiam soldados, reconstruíam seus exércitos e retornavam ao campo de batalha esperando que um dia o conflito terminasse. Quando perceberam que nenhuma vitória definitiva chegava, pediram ao próprio criador poder suficiente para derrotar os Monarcas de uma vez.
O Ser Absoluto não respondeu.
A razão era muito mais cruel do que qualquer estratégia militar. A guerra existia porque ele queria que existisse. Os dois lados haviam sido criados para lutar, e o sofrimento provocado pelo conflito era tratado pelo Ser Absoluto como entretenimento. Para os Governantes, descobrir que incontáveis eras de combate haviam servido apenas à vontade de seu criador destruiu completamente a lealdade que ainda mantinham.
Sete dos oito Governantes se rebelaram. Eles voltaram suas armas contra o Ser Absoluto e conseguiram matá-lo.
Só que um deles não participou da rebelião.
E esse detalhe é fundamental para entender toda a história de Sung Jinwoo.
Ashborn tentou proteger o Ser Absoluto antes de se tornar o Monarca das Sombras

A versão antiga da história de Ashborn pode causar certa confusão porque ele é apresentado posteriormente como um Monarca, mas sua origem está entre os Governantes. Antes de ser conhecido como Rei dos Mortos e Monarca das Sombras, Ashborn era o mais poderoso dos Fragmentos da Luz Brilhante.
Quando os outros Governantes decidiram se rebelar, Ashborn permaneceu fiel ao Ser Absoluto. Ele tentou impedir a revolta e acabou derrotado pelos próprios companheiros, que o deixaram à beira da morte. Foi nesse momento que Ashborn descobriu que seu criador havia deixado dentro dele um poder que até então permanecia adormecido. Ao despertar essa força, ele retornou como o Monarca das Sombras.
Quando conseguiu voltar, a rebelião já havia terminado e o Ser Absoluto estava morto.
A partir dali, Ashborn deixou de se encaixar completamente em qualquer um dos lados. Ele havia sido traído pelos Governantes que antes eram seus companheiros, mas também não tinha nascido como os demais Monarcas. Mais tarde, quando os Governantes capturaram Legia e começaram a ganhar vantagem na guerra, Ashborn ofereceu seus poderes aos Monarcas.
Nem essa aliança seria estável.
O crescimento do exército das sombras começou a assustar seus próprios aliados. Antares ordenou que Baran e Rakan atacassem Ashborn, tentando eliminá-lo antes que se tornasse um risco ainda maior. A emboscada terminou de uma maneira bem diferente do que eles planejavam: Ashborn derrotou os dois, matou Baran e obrigou Rakan a fugir.
Esse passado ajuda a explicar por que Ashborn se distancia tanto dos demais Monarcas. Depois de eras preso entre os dois exércitos, ele já não enxergava aquela guerra com o mesmo entusiasmo. O personagem que entrega seu poder a Jinwoo não está tentando apenas criar um soldado mais forte. Ele está procurando alguém capaz de encerrar um ciclo no qual ele próprio passou praticamente toda a existência.
A Terra já havia sido destruída antes dos acontecimentos que acompanhamos

A chegada dessa guerra à Terra não aconteceu por acaso.
Os Governantes já sabiam que um confronto direto com os Monarcas acabaria destruindo o planeta. O problema era a enorme diferença entre um mundo humano praticamente sem mana e seres cuja simples presença e combate liberavam uma quantidade monstruosa de energia.
Eles tentaram evitar o desastre utilizando um dos artefatos deixados pelo Ser Absoluto: o Cálice da Reencarnação, capaz de fazer o tempo retroceder dez anos. Sempre que a guerra levava a humanidade à destruição, os Governantes podiam tentar novamente. O recurso, porém, não possuía poder infinito, e as repetidas tentativas não estavam resolvendo a fragilidade fundamental da Terra.
A estratégia seguinte foi preparar o planeta para receber uma quantidade muito maior de mana.
Foi daí que surgiram os Portais.
Os Governantes começaram a abrir Gates e permitir que mana entrasse no mundo humano gradualmente. Essa energia alterou a Terra e também algumas pessoas, levando ao surgimento dos primeiros Caçadores. O objetivo principal não era criar uma espécie de academia de treinamento através das Masmorras, mas saturar o planeta com mana suficiente para que ele tivesse alguma possibilidade de resistir ao impacto da guerra que estava chegando.
Isso muda bastante a maneira de enxergar os primeiros capítulos de Solo Leveling. Os Caçadores acreditavam que os Portais eram simplesmente fenômenos misteriosos que haviam mudado o planeta. Na realidade, toda aquela nova sociedade construída ao redor das Guildas, dos ranks, das pedras de mana e das Masmorras existia como consequência de uma preparação para uma batalha da qual a humanidade sequer sabia que fazia parte.
Jinwoo passa anos arriscando a vida nesses Portais sem imaginar que estava caminhando, pouco a pouco, para o centro dessa guerra.
O Sistema estava preparando Jinwoo para receber o poder de Ashborn

Outra revelação que reorganiza completamente a história é a verdadeira função do Sistema.
Jinwoo não ganhou uma habilidade especial aleatória depois de sobreviver ao Double Dungeon. O Sistema havia sido criado por Kandiaru, o Arquiteto, para transformar gradualmente um ser humano em um recipiente capaz de suportar o poder completo de Ashborn.
Essa tarefa era muito mais difícil do que simplesmente encontrar um Caçador forte. O poder de um Monarca podia destruir um corpo humano incapaz de recebê-lo, e Ashborn precisava de alguém que pudesse crescer além dos limites normais. Kandiaru transformou esse processo em algo parecido com um videogame porque aquela interface seria compreensível para Jinwoo: níveis, atributos, inventário, missões, recompensas e penalidades funcionavam como ferramentas para reconstruir seu corpo pouco a pouco.
A intenção original do Arquiteto era preparar Jinwoo para que Ashborn pudesse tomar seu corpo. Só que Ashborn mudou de ideia.
Ele observou Jinwoo durante seu crescimento e decidiu não apagar sua identidade. Em vez de simplesmente possuir aquele corpo, escolheu entregar seu poder ao humano que havia passado por todas as provações do Sistema. Quando essa transferência finalmente é concluída, o Sistema deixa de ser necessário porque Jinwoo já não está mais sendo preparado para se tornar o recipiente do Monarca das Sombras.
Ele se torna o novo Monarca das Sombras.
Essa diferença também coloca Jinwoo em uma posição completamente diferente dos outros humanos utilizados como recipientes durante a guerra. Ele não termina como uma casca usada por uma entidade superior. Ashborn entrega a ele o próprio legado.
Existem nove Monarcas, mas nenhum deles funciona exatamente da mesma maneira
A obra apresenta nove Monarcas originais, contando Ashborn. Todos estão ligados à escuridão e à guerra contra os Governantes, mas seus exércitos, habilidades e comportamentos são bastante diferentes.
Essa variedade ajuda bastante na reta final da história. Em vez de simplesmente colocar Jinwoo contra nove versões de um mesmo inimigo extremamente poderoso, Solo Leveling cria ameaças com estilos próprios. Alguns dependem da força física, outros controlam criaturas específicas, alguns trabalham melhor através de magia e existem aqueles cuja verdadeira importância está no papel que desempenharam muito antes de Jinwoo nascer.
Antares é a força destrutiva que nem os outros Monarcas conseguem ignorar

Antares, o Rei dos Dragões e Monarca da Destruição, ocupa o topo dessa hierarquia.
Ele comanda o Exército da Destruição e é apresentado como a grande força militar entre os Monarcas. Seus dragões não são apenas monstros grandes usados para deixar a batalha final mais impressionante; eles representam um exército construído especificamente para devastar mundos.
Antares também enfrenta uma dificuldade curiosa quando chega o momento de invadir a Terra. Seu poder é tão grande que ele não encontra um recipiente humano capaz de suportá-lo. Enquanto outros Monarcas conseguem utilizar corpos humanos, Antares precisa esperar até ser possível atravessar para o mundo humano em sua própria forma.
Isso já diz bastante sobre o nível em que ele está.
O confronto entre Jinwoo e Antares funciona justamente porque a história passou dezenas de capítulos mostrando Jinwoo superar Caçadores rank S, monstros, exércitos e até outros Monarcas. Antares chega quando praticamente nada mais no mundo humano consegue realmente ameaçá-lo.
A luta deixa de ser sobre descobrir se Jinwoo consegue enfrentar outro Caçador muito poderoso. Pela primeira vez ele encontra uma criatura construída desde sua origem para representar destruição em escala mundial.
Ashborn é a exceção que quebra as regras dos próprios Monarcas

Ashborn tem um lugar estranho nessa lista porque sua história começou no lado oposto.
Seu poder sobre os mortos permite transformar inimigos derrotados em soldados das sombras, preservá-los e chamá-los novamente para lutar. Na prática, isso produz uma característica assustadora: uma grande vitória contra Ashborn pode acabar fornecendo novos soldados para o próprio exército dele.
Jinwoo herda exatamente essa lógica.
Igris, Beru, Tusk e tantos outros personagens que seriam apenas inimigos derrotados em outros animes continuam participando da história porque a força do Monarca das Sombras cresce também através das batalhas anteriores. O exército de Jinwoo acaba funcionando quase como um registro vivo de tudo o que ele precisou superar.
Ashborn, porém, se destaca ainda mais pela decisão de romper com o destino que parecia reservado a ele. Ele nasceu como Governante, tornou-se Monarca e terminou escolhendo um humano como sucessor. Dentro de uma história cheia de entidades presas a funções determinadas desde a criação, sua trajetória é uma das poucas construídas em torno da vontade de abandonar esse papel.
Baran e Legia já haviam perdido suas posições antes da guerra chegar ao auge

Baran, o Monarca das Chamas Brancas e Rei dos Demônios, é um caso que costuma gerar confusão entre fãs que conheceram primeiro o Castelo Demoníaco.
O Baran enfrentado por Jinwoo naquele arco não era o verdadeiro Monarca em sua forma original. O verdadeiro Baran já havia morrido muito antes, derrotado por Ashborn depois de participar, junto de Rakan, da tentativa de eliminá-lo. A versão encontrada no Castelo Demoníaco foi uma recriação produzida dentro do Sistema para servir ao desenvolvimento de Jinwoo.
Essa informação também explica por que aquela batalha não pode ser usada como medida direta para comparar o Jinwoo daquele período com os Monarcas completos que aparecem posteriormente. Ele estava enfrentando uma construção do Sistema baseada em Baran, e não o mesmo ser que havia participado da guerra original.
Legia, o Rei dos Gigantes e Monarca do Princípio, teve um destino diferente. Ele foi capturado pelos Governantes muito antes da história principal e permaneceu acorrentado até aparecer no Portal rank S de Tóquio.
Quando Jinwoo o encontra, Legia se torna uma das primeiras fontes realmente importantes sobre a guerra que existe por trás dos Portais. Ele revela informações verdadeiras sobre Governantes e Monarcas e utiliza até um pacto que impede mentiras durante a conversa. Ainda assim, Jinwoo descobre que libertá-lo seria perigoso e acaba matando o Monarca antes que ele consiga recuperar sua liberdade.
A participação de Legia é relativamente curta, mas funciona muito bem para a história. Até aquele encontro, Jinwoo já conhecia inimigos extremamente poderosos; depois dele, começa a entender quem realmente está movimentando as peças.
Rakan, Sillad e Querehsha chegaram mais perto de impedir o nascimento do novo Monarca das Sombras

Três Monarcas têm participação decisiva em um dos momentos mais importantes da reta final: Rakan, Sillad e Querehsha.
Rakan é o Monarca das Presas e Rei das Feras. Sua maneira de lutar combina com o próprio título: agressividade, força física, sentidos extremamente desenvolvidos e um comportamento muito mais próximo de um predador do que de um estrategista paciente. Ele também carrega um passado direto com Ashborn, já que participou ao lado de Baran da tentativa de assassiná-lo.
Sillad, o Monarca do Gelo e Rei do Povo da Neve, segue uma lógica diferente. Ele possui domínio sobre gelo e temperaturas extremas e demonstra preocupação muito maior com o retorno completo de Ashborn. É Sillad quem percebe o tamanho do risco representado por Jinwoo e tenta convencer os outros Monarcas a eliminá-lo antes que a transferência de poder esteja concluída.
Ele também está diretamente ligado a uma das mortes mais marcantes da reta final ao atacar Go Gunhee, que servia como recipiente para um dos Governantes. O confronto deixa claro que a caçada dos Monarcas não estava direcionada apenas a Jinwoo: eles estavam eliminando os humanos usados pelos seus antigos inimigos para impedir que os Governantes interferissem na guerra.
Querehsha, a Monarca das Pragas e Rainha dos Insetos, completa o trio que decide atacar Jinwoo. Sua habilidade não se resume a “espalhar doenças”, como às vezes a personagem é resumida. Ela possui características e poderes associados a insetos, regeneração e veneno, além da capacidade de assumir sua manifestação espiritual.
Os três conseguem algo que parecia impossível naquele estágio da história.
Eles derrubam Sung Jinwoo.
Querehsha morre durante o confronto, mas Sillad consegue ocupar Jinwoo enquanto Rakan aproveita uma abertura e perfura seu peito. O coração humano de Jinwoo para, e durante alguns instantes os Monarcas realmente acreditam que impediram o retorno de Ashborn.
A morte produz o efeito contrário.
É justamente nesse momento que o Coração Negro entra em ação e a transferência final do poder de Ashborn é concluída. Jinwoo retorna não como o humano que ainda estava aprendendo a utilizar parte daquele poder, mas como o verdadeiro sucessor do Monarca das Sombras.
Sillad e Rakan percebem quase imediatamente que a situação mudou. Até então eles estavam tentando matar um recipiente antes que Ashborn pudesse surgir completamente. Quando Jinwoo retorna, aquilo que eles temiam já aconteceu.
Tarnak e Yogumunt mostram que nem todos os Monarcas dependiam de combate direto

Tarnak, o Monarca do Corpo de Ferro e Rei dos Humanoides Monstruosos, representa uma força muito mais ligada à resistência física e ao combate bruto. Ele participa da caçada aos recipientes dos Governantes e aparece entre os Monarcas responsáveis pelo ataque a Christopher Reed, um dos Caçadores de Nível Nacional dos Estados Unidos.
Sua presença também ajuda a mostrar o tamanho da desvantagem enfrentada pelos humanos naquela fase. Christopher Reed estava entre os Caçadores mais poderosos do planeta e carregava o poder de um Governante, mas ainda assim enfrentar múltiplos Monarcas simultaneamente era uma situação praticamente impossível.
Yogumunt, Rei dos Espectros Demoníacos e Monarca da Transfiguração, ocupa um espaço mais associado à magia. Ele possui grande habilidade na criação de Portais e desempenha um papel importante na movimentação das forças dos Monarcas entre diferentes espaços. O webtoon confirma Yogumunt entre os nove Monarcas, apesar de sua participação receber bem menos atenção do que Antares, Sillad ou Rakan.
Essa diferença de funções é parte do que torna o grupo interessante. Os Monarcas não são nove chefes de fase com poderes apenas visualmente diferentes. Eles comandam raças distintas, possuem formas específicas de combate e assumem papéis diferentes dentro da guerra.
Então Antares era realmente o Monarca mais forte?

Entre os Monarcas ligados originalmente à destruição, Antares é apresentado como a maior potência, e o tamanho de seu exército acompanha essa posição. Ele é o inimigo que exige de Jinwoo tudo aquilo que havia acumulado até o fim da história.
Ashborn torna qualquer ranking mais complicado.
Ele já havia demonstrado poder suficiente para destruir exércitos e derrotar outros Monarcas, e Antares reconhecia o perigo representado pelo crescimento de sua força. Os dois ficam em uma categoria muito acima da maioria dos demais, embora Antares carregue o título e a posição de maior força destrutiva entre os Monarcas originais.
Quando Jinwoo recebe completamente o legado de Ashborn, a comparação muda novamente. Ele não herda apenas uma quantidade fixa de poder; herda a autoridade do Monarca das Sombras, seu exército e a possibilidade de continuar lutando e acumulando experiência com aquela força.
O resultado final aparece depois que o Cálice da Reencarnação é utilizado pela última vez.
Jinwoo decide voltar dez anos no tempo e enfrentar sozinho os Monarcas antes que a guerra alcance a humanidade. Como Monarcas e Governantes são seres superiores, suas memórias não são apagadas pelo retrocesso temporal. Jinwoo passa décadas dentro da Fenda Dimensional caçando seus antigos inimigos até destruir novamente os Monarcas e finalmente derrotar Antares.
O Caçador rank E que precisava se arriscar em Masmorras de nível baixo termina caçando seres que destruíam mundos antes mesmo de sua espécie saber que eles existiam.
Os Monarcas são vítimas do Ser Absoluto, mas isso não transforma todos eles em inocentes

A origem dos Monarcas abre uma discussão interessante, mas a resposta não é tão simples quanto dizer que eles eram apenas vítimas.
Eles realmente foram criados pelo Ser Absoluto para participar de uma guerra interminável. Não escolheram as condições de seu nascimento e também foram usados como peças de um conflito que servia ao entretenimento de seu criador. Nesse sentido, Governantes e Monarcas compartilham uma origem marcada pela manipulação.
Só que os caminhos seguidos depois da morte do Ser Absoluto são diferentes.
Grande parte dos Monarcas continua abraçando a destruição, exterminando populações, atacando recipientes dos Governantes e tratando humanos como seres inferiores. Antares leva seu Exército da Destruição para o mundo humano; Sillad mata Go Gunhee; Rakan participa de diversos ataques; Querehsha ajuda a caçar Jinwoo. A origem explica por que eles existem, mas não apaga aquilo que fazem quando passam a agir de acordo com seus próprios objetivos.
Ashborn é justamente interessante porque demonstra que aquele destino não precisava permanecer completamente imutável.
Ele também foi criado para participar da guerra. Também sofreu com a manipulação do Ser Absoluto. Também passou eras lutando. Em algum momento, no entanto, cansou-se do conflito e decidiu confiar sua força a alguém que pudesse seguir um caminho diferente.
Jinwoo termina aquilo que nenhum dos dois lados havia conseguido fazer durante eras.
Em vez de simplesmente vencer outra batalha entre Monarcas e Governantes, ele destrói o ciclo que fazia a guerra retornar repetidamente à Terra.
Os Monarcas transformam completamente o significado de Solo Leveling
É fácil lembrar de Solo Leveling principalmente pelas evoluções de Jinwoo, pelas batalhas contra Beru, Igris, Thomas Andre e Antares ou pelo espetáculo visual do Exército das Sombras. Só que a história dos Monarcas dá um sentido diferente a praticamente tudo o que aconteceu antes.
Os Portais tinham uma razão para existir. O despertar dos Caçadores estava relacionado à mana introduzida na Terra. O Sistema possuía um criador e uma finalidade. O crescimento absurdo de Jinwoo não era uma habilidade inexplicável concedida ao protagonista porque ele teve sorte no Double Dungeon. Até o mundo em que a história acontece já carregava as consequências de tentativas anteriores de impedir uma guerra que a humanidade desconhecia.
Essa expansão também funciona porque Solo Leveling não abandona completamente aquilo que fez Jinwoo interessante no início. Mesmo quando a escala sai de pequenas Masmorras para entidades capazes de destruir mundos, a escolha decisiva continua sendo pessoal. Ashborn observa um humano extremamente fraco que insiste em sobreviver, vê o que Jinwoo faz pela família e decide confiar nele.
O antigo rank E não vence simplesmente porque nasceu como o escolhido mais poderoso daquele universo. Ele passa boa parte da história sendo preparado para receber uma força que originalmente deveria apagar quem ele era, e termina conquistando até de Ashborn o direito de continuar sendo Sung Jinwoo.
Os Monarcas são a peça que revela o tamanho verdadeiro de Solo Leveling. O que parecia ser a trajetória de um Caçador aprendendo a subir de nível era apenas a parte humana de uma guerra muito mais antiga.
Quando essa verdade finalmente aparece, até aquele primeiro aviso do Sistema ganha outro significado: Jinwoo nunca estava apenas ficando mais forte.
Ele estava sendo preparado para herdar o poder de alguém que havia passado eras tentando encontrar uma saída daquela guerra.
