A luta entre Satoru Gojo e Ryomen Sukuna encerrou uma das maiores disputas de poder de Jujutsu Kaisen, mas deixou aberta uma pergunta que o resultado sozinho não resolve: Sukuna teria conseguido vencer sem Mahoraga? O mangá confirma quem saiu vivo do confronto e também mostra com bastante clareza qual recurso permitiu ao Rei das Maldições encontrar uma resposta definitiva para o Infinito. Retirar esse recurso muda profundamente a batalha.
Mahoraga não funcionou apenas como reforço de combate. A adaptação do shikigami ofereceu a Sukuna aquilo que ele ainda não possuía de forma permanente: um modelo capaz de ultrapassar a defesa de Gojo fora das situações em que Expansão ou Amplificação de Domínio permitiam contato. Quando Mahoraga desenvolveu uma adaptação que atingia o próprio espaço ocupado pelo alvo, Sukuna compreendeu o mecanismo e o incorporou ao seu corte. Foi essa solução que decidiu o confronto.
Mesmo sem o shikigami, Sukuna continuaria com uma quantidade monstruosa de energia amaldiçoada, uma Expansão de Domínio extremamente refinada, Amplificação de Domínio, técnica reversa, experiência e uma leitura de combate que poucos personagens conseguem acompanhar. Essas armas teriam de produzir a vitória antes que os confrontos de domínio perdessem força ou encontrar outra maneira de superar o Infinito.
O Infinito continuava sendo a maior barreira

Gojo não é difícil de enfrentar apenas por causa de velocidade, força ou volume de energia. O Infinito impede que ataques comuns alcancem seu corpo e obriga o adversário a recorrer a mecanismos específicos para tocá-lo. Sukuna possuía dois caminhos conhecidos durante a luta: o acerto garantido do Santuário Malevolente e a Amplificação de Domínio, capaz de neutralizar a técnica de Gojo durante o contato.
Essas respostas funcionaram, mas tinham limites. A Amplificação permitia a Sukuna lutar corpo a corpo, embora restringisse o uso simultâneo de outras técnicas. O domínio era muito mais perigoso, especialmente porque o Santuário Malevolente possui uma estrutura aberta e conseguiu destruir o Vazio Ilimitado pelo lado de fora nas primeiras colisões. Gojo foi atingido repetidamente pelos cortes e precisou sustentar a própria sobrevivência com técnica reversa em um ritmo extremo.
Gojo continuou lutando mesmo sob essas condições. Ele alterou as características da própria barreira, reduziu o tamanho do domínio, restaurou sua técnica amaldiçoada após o esgotamento e começou a responder às vantagens iniciais de Sukuna. A sequência terminou sem que o Santuário Malevolente encerrasse a luta. Os dois forçaram o cérebro além do limite ao recuperar técnicas esgotadas, até perderem a capacidade de continuar expandindo seus domínios como faziam no início.
A partir desse momento, o Infinito recuperava uma importância enorme. Sukuna ainda podia recorrer à Amplificação para tocar Gojo, mas já não possuía no Santuário Malevolente uma condição imediata de encerramento. A adaptação de Mahoraga passou então a fornecer o caminho para um ataque capaz de ignorar a defesa de Gojo sem depender de uma nova colisão de domínios.
Mahoraga virou o modelo que Sukuna precisava

Sukuna não colocou Mahoraga no campo esperando que o shikigami resolvesse sozinho a batalha. A adaptação foi incorporada à estratégia antes mesmo de sua manifestação completa. Sukuna explorou esse processo contra as técnicas de Gojo e conduziu parte do confronto buscando uma resposta que pudesse aproveitar depois.
A adaptação também não entregou imediatamente aquilo que Sukuna queria. Mahoraga precisava chegar a uma solução compatível com a técnica do próprio Sukuna. O momento decisivo aconteceu quando o general divino executou um ataque que não dependia simplesmente de atravessar o Infinito da maneira convencional. Seu golpe alcançou o espaço onde Gojo se encontrava.
Sukuna percebeu como aquilo funcionava e encontrou uma aplicação possível para seus próprios cortes. O ataque que matou Gojo não era uma ferramenta que ele vinha utilizando desde o começo do confronto. O princípio apareceu durante a batalha, Mahoraga forneceu o modelo e Sukuna teve capacidade técnica para reproduzi-lo de uma forma adequada ao seu próprio arsenal.
Retirar o general divino elimina esse processo. Sukuna teria de vencer por outra rota, prolongando a disputa física com Amplificação, conseguindo um resultado diferente durante as batalhas de domínio ou recorrendo mais cedo à transformação completa de sua forma original. Nenhuma dessas alternativas foi mostrada produzindo a mesma resposta definitiva contra o Infinito naquele confronto.
Os domínios davam a Sukuna um caminho real para vencer

Retirar Mahoraga não apaga a capacidade de Sukuna de ferir Gojo. As primeiras fases da luta deixam isso claro. O Santuário Malevolente colocou Gojo sob enorme pressão, destruiu sua barreira e o obrigou a gastar energia constantemente em cura enquanto recebia ataques garantidos.
Sukuna também tomou decisões levando a adaptação em consideração. Sem precisar conduzir esse processo, poderia adotar uma postura diferente desde o início, usar Amplificação com maior frequência e evitar determinadas exposições feitas enquanto Mahoraga avançava em sua resposta. Uma luta sem o general divino não seria simplesmente a mesma sequência de capítulos com um personagem removido do campo.
A forma original de Sukuna acrescenta outra variável. Com quatro braços e duas bocas, seu corpo oferece vantagens evidentes para selos, cânticos e combate físico. Contra Gojo, Sukuna permaneceu no corpo de Megumi e guardou a encarnação completa para depois. Começar ou recorrer mais cedo a essa forma poderia tornar as trocas físicas mais favoráveis e facilitar momentos em que a execução de técnicas dependesse de gestos ou encantamentos.
Maior capacidade no corpo a corpo ainda não entrega automaticamente uma resposta permanente ao Infinito. Sukuna precisaria transformar essas vantagens em uma condição concreta de vitória antes que Gojo recuperasse o controle do confronto. A luta mostrada no mangá seguiu outro caminho, justamente porque a adaptação oferecia uma saída mais completa.
Gojo sobreviveu ao trecho em que Sukuna mais conseguiu pressioná-lo

Gojo atravessou uma fase em que Sukuna possuía uma resposta direta para suas defesas. Depois de perder a primeira colisão de domínios, ficou exposto aos cortes do Santuário Malevolente e sustentou o corpo com técnica reversa enquanto procurava uma saída. Nas colisões seguintes, começou a modificar suas barreiras e encontrou maneiras cada vez mais eficientes de enfrentar o domínio aberto de Sukuna.
A disputa acabou chegando a um ponto em que Gojo conseguiu causar dano suficiente para comprometer o adversário durante a sequência de expansões. O Vazio Ilimitado atingiu Sukuna e criou uma situação extremamente perigosa, interrompida pela entrada de Mahoraga. Depois de tantas expansões e recuperações forçadas da técnica, os dois chegaram ao limite e os domínios deixaram de comandar a batalha.
Gojo passou então a pressionar de outra maneira. Ele enfrentou Sukuna, Mahoraga e Agito, destruiu Agito, recuperou o uso pleno de seu arsenal e montou a sequência que terminou no Roxo de grande escala. Mahoraga foi eliminado e Sukuna saiu da explosão severamente ferido. Naquele instante, a ferramenta que vinha conduzindo a adaptação ao Infinito já não existia mais no campo.
Sukuna, porém, já havia conseguido aquilo que procurava. Mahoraga não precisava sobreviver até o fim. O princípio do ataque capaz de atingir o espaço já tinha sido assimilado, e Sukuna conseguiu aplicá-lo depois que o shikigami foi destruído.
Sem Mahoraga, Sukuna teria de vencer antes ou encontrar outro caminho

A vitória de Sukuna dependeria de uma execução diferente durante os domínios ou de uma vantagem construída no combate direto com Amplificação. Quanto mais o confronto se aproximasse da fase posterior mostrada no mangá, maior seria a dificuldade para produzir um golpe decisivo contra Gojo sem um mecanismo equivalente ao corte espacial.
Sukuna poderia tornar o começo da luta ainda mais agressivo se abandonasse qualquer preocupação com adaptação e concentrasse seus recursos em pressão ofensiva. A forma original também modificaria as trocas físicas. Com outro planejamento, a sequência mostrada no mangá deixaria de servir como roteiro para o restante da luta.
O que foi efetivamente demonstrado é mais limitado. Sukuna conseguia tocar Gojo com Amplificação, feri-lo dentro do domínio e sobreviver a ataques extremamente destrutivos. O mangá não apresentou um método permanente, independente de Mahoraga, capaz de atravessar o Infinito depois que a batalha de domínios chegou ao fim. A solução definitiva exibida na luta nasceu da adaptação.
Gojo já havia sobrevivido às ferramentas que Sukuna possuía desde o começo. Quando os domínios deixaram de funcionar e a batalha passou a depender mais de execução individual, ele conseguiu pressionar Sukuna, eliminar Agito, destruir Mahoraga e causar danos pesados com o Roxo.
A própria fala de Gojo mantém a discussão aberta

Depois da luta, Gojo reconhece a força de Sukuna e admite que o adversário ainda guardava recursos. Sua fala também deixa aberta a possibilidade de que o resultado continuasse incerto mesmo sem a Dez Sombras. Isso impede que a batalha seja reduzida à ideia de que Mahoraga transformou um Sukuna incapaz de enfrentar Gojo em vencedor.
Sukuna realmente possuía ferramentas que não utilizou naquela luta, incluindo sua encarnação completa e capacidades mostradas durante os confrontos posteriores. Ele precisava administrar recursos porque derrotar Gojo não encerraria sua participação no conflito. Nenhuma dessas ferramentas, entretanto, foi mostrada substituindo diretamente a função exercida pela adaptação de Mahoraga contra o Infinito.
Gojo também não pode ser declarado vencedor apenas porque terminou determinada fase do combate em posição melhor. Sukuna adapta estratégias rapidamente e poderia reorganizar toda a luta se o general divino não estivesse disponível. O confronto mudaria desde o início, e não somente nos segundos que antecederam o golpe final.
Então Sukuna conseguiria derrotar Gojo sem Mahoraga?

Pra min a resposta continua sendo NÃO , na luta mostrada, Sukuna precisou da adaptação para chegar ao mecanismo que finalmente ignorou o Infinito de maneira definitiva. Antes disso, suas melhores respostas dependiam do domínio ou da Amplificação, e Gojo conseguiu sobreviver às duas por tempo suficiente para levar o combate a uma fase em que essas opções já não garantiam o fim da luta.
Sukuna poderia escolher outro caminho. Poderia pressionar mais durante as colisões de domínio, recorrer à forma original, intensificar as trocas físicas e administrar seus recursos sem dedicar parte da estratégia à adaptação. Essas possibilidades deixam qualquer vantagem de Gojo estreita. O papel de Mahoraga no golpe que decidiu a luta, porém, foi mostrado diretamente.
Sem o general divino, o Infinito voltaria a ser uma barreira que Sukuna teria de solucionar durante o próprio confronto sem possuir o modelo que forneceu a resposta. Gojo já havia sobrevivido aos mecanismos conhecidos e demonstrado capacidade para causar dano suficiente para desestabilizar Sukuna quando a disputa de domínios terminou.
Sukuna tomou a técnica de Megumi, compreendeu o potencial de Mahoraga, transformou adaptação em informação e converteu essa informação em uma nova aplicação de sua própria técnica. Foi assim que construiu a vitória mostrada no mangá. Sem esse processo, o caminho até o golpe decisivo desaparece e outra estratégia teria de ocupar seu lugar.
Sukuna ainda seria um dos pouquíssimos personagens de Jujutsu Kaisen com recursos para levar Gojo até o limite. Minha vantagem para Gojo nasce justamente do que restaria sem Mahoraga: o feiticeiro mais forte da era moderna ainda protegido pelo Infinito, enquanto Sukuna precisaria encontrar, em plena batalha, outra maneira definitiva de atravessá-lo.
